A GRALHA VAIDOSA
Uma gralha, que ia voando com suas companheiras, avistou ao longe um belo jardim, com lindas flores, lagos, repuxos e estátuas. Muito feliz com esse descobrimento, deixou o bando e foi pousar no jardim, entre os ramos de uma florida ávore, grasnando, muito contente da vida.
Dali avistou sobre um caminho coberto de areia, muito fina e muito alva, algumas vistosas plumas, que haviam caído da causa de um pavão real.
Tratou de apanhá-los o mais depressa possível, antes que outrem o fizesse. Enfeitou-se com elas e ficou certa de que estava muito bonita. Vaidosa e enfatuada, esqueceu suas companheiras, que agora lhe pareciam humildes e feias. E foi imiscuir-se num grupo de magníficos pavões reais, que viviam naquele jardim.
Estava convencida de que, com aquelas plumas, iludiria os pavões e com eles se confundiria, como se fosse um autêntico pavão...
Entretanto, as lindas e garbosas aves, com suas opulentas caudas abertas em leque, mal avistaram a gralha desavergonhada e ridícula, deram o alarma.
- Olhem só a intrometida, a desbriada intrusa!
Reuniram-se então e, dispostas a castigar energicamente a gralha, cairam sobre ela às bicadas, arrancando-lhe as plumas postiças e deixando-a quase inteiramente depenada...
Humilhada e mais ridícula, ela ainda pôde alçar o vôo, para voltar às companheiras, que tinha desprezado.
Que lhe aconteceu, porém? Foi por elas mal recebida, pois todas, a uma só voz, gritaram-lhe com zombaria e altivez:
- Você está muito bem aviada!... Se tivesse permanecido em nossa companhia, não teria sofrido afrontas nem apanhado tamanha surra!...
Bem feito!
Conclusão: A vaidade pode levar às pessoas a despresar seus semelhantes que realmente são seus amigos.
Pesquisa e Postam > Ncéas Romeo Zanchett
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