sábado, 30 de abril de 2011

O REI DOS LEÕES

                         

      
                                               O REI DOS LEÕES
 Ha muitos anos um estrangeiro levou um burro para Uganda e, certa manhã,ele fugiu para o campo. Zurrou por tanto tempo e com tanto barulho que despertou um leão que estava tranqüilamente dormindo. O leão levantou-se e ficou muito assombrado com aquele som e pensou: este bicho estranho, com orelhas compridas e pontudas,  deve ser muito mais perigoso do que eu.
Cautelosamente se aproximou e perguntou: 
- Quem é o senhor? 
- Sou o Rei dos Leões, respondeu o burro. Não ouviu o meu desafio?
- Ouvi, disse o leão. Mas não precisamos travar uma luta. Podemos chegar a um acordo e fazer uma dupla contra todos os outros animais.
- Pois sim, respondeu o  burro;e logo foram embora juntos.
Depois de muito andar, chegaram junto a um rio. O leão atravessou-o num único salto, mas o burro teve de atravessá-lo a nado e com muita dificuldade. 
- Você não sabe nadar? perguntou o leão.
-Nadar?, claro que sei, disse o burro. Nado como um pato, mas é que pesquei um enorme peixe com a minha cauda e ele quase me pucha para baixo da água. Mas já que está tão impaciente para ir embora, vou largá-lo. 
Pouco tempo depois chegaram ao pé de um muro bem alto. O leão galgou-o facilmente e o burro conseguiu passar as patas dianteiras, mas estava com dificuldade de fazer mais que isso.
- O que é que estás fazendo? perguntou o leão. 
- Então não vêz? retorquiu o burro. Estou me pesando para saber se minha parte dianteira é tão pesada como a trazeira.
Depois de muito esforço, o burro conseguiu passar, e o leão lhe disse:
- O senhor não tem nenhuma força.  Vou lutar contigo. 
- Quando quizeres, respondeu o burro, mas primeiro devemos fazer uma experiência com as nossas forças. Quando vejo que não posso saltar um murro eu o boto a baixo. Vamos ver se é capaz de fazer isso. 
O leão começou a bater no murro com as patas, mas se feriu muito e teve de desistir. Em seguida o burro escoiceou o muro com tanta força que ele logo caiu. 
- Sim, o senhor tem mesmo muita força!, disse o leão, lambendo as patas feridas. Quero que seja aclamado Rei dos Leões. 
No dia seguinte reuniram-se todos os leões de Uganda, e o burro conduziu-os a um vale  coberto por arvores cheias de espinhos. 
- Oh! por favor não vá por aí!, gritaram os leões cheios de terror. Os espinhos se enterrariam em nossas patas. 
- Mas que criaturas medrosas!, disse o burro. Olhem para mim. 
E para grande espanto dos presentes àquela assembléia, começou a comer as plantas espinhosas.  E assim foi aclamado, por unanimidade,  Rei dos Leões.  Como o burro não comia carne, nunca se servia da caça que os seus súditos matavam. Dessa forma passou a ser considerado como o melhor rei de todos os tempos. 
Pesquisa e adaptação: Romeo Zanchett 
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sexta-feira, 29 de abril de 2011

O HOMENZINHO DA PRAIA


               O HOMENZINHO DA PRAIA
Josefina gostava muito de aventuras. Costumava sempre subir nas arvores e, quando tinha tres anos, fugiu de casa duas vezes correndo pela rua abaixo para ver até onde ia.
Um dia seus pais levaram-na para uma praia; Lá chegando, Josefina pôs-se a andar ao longo da praia, acompanhado o mar. Depois de algum tempo caminhando ela notou que nunca poderia chegar  até o fim da praia, pois  no caminho havia um amontoado de rochas que entravam mar a dentro, impedindo-lhe a passagem e eram pedras tão altas que não poderia atravessá-lo.
Numa certa manhã, Josefina levantou-se bem cedo, sentou-se na cama e ficou pensando como seria interessante procurar um caminho para atravessar aquela rocha da praia. Depois de alguns momentos levantou-se, vestiu-se  e saiu correndo pela estrada que conduzia ao mar. 
Correu um bom pedaço e então, já sentido-se exausta, deitou-se no chão para descansar. Estava quase dormindo quando, de repente, viu um homenzinho vestido de preto, como um carvoeiro, correndo pela grama até a entrada de uma pequena toca, pela qual desapareceu. 
Josefina ficou espantada. Imediatamente levantou-se, mas sua curiosidade aumentou quando viu que o homenzinho tinha deixado cair aulguns pequenos biscoitos que estava comendo. Como estava com muita fome resolvou comê-los. Imediatamente começou a diminuir de tamanho até ficar menor que o homenzinho de preto. Dessa forma, pensou ela, posso entrar pela toca e chegar ao outro lado. Como gostava muito de aventuras, lá se foi Josefina  toca a dentro.  A toca terminava em uma passagem muito escura e, ao atravessá-la, Josefina sentiu que seu coraçãozinho batia fortemente e feliz, pois imaginava que  aquele buraco a conduziria à continuação da praia, que ela queria conhecer. 
Ao chegar do outro lado da toca, qual não foi seu estpanto, pois no lugar de conchinas do mar havia milhares de diamantes, pérolas, rubis, esmeraldas e todos os tipos de pedras preciosas. Brilhavam tanto que ela teve de fechar os olhos por alguns instantes.
Tudo aquilo era novidade e principalmente muito bonito, mas Josefina estava cansada, com sono e tanta fome que nem se importou muito com aquelas maravilhosas joias. Catou algumas, pôs no bolso e então decidiu voltar para casa, mas quando procurou a entrada da toca, por onde tinha vindo, não mais a encontrou. Então começou a andar de um lado para o outro á procura da tal entrada, mas nada conseguia. Josefina estava cada vez mais contrariada, pois sentia-se cansada e com muita fome. De repente percebeu estar bem próxima ao homenzinho de preto que estava enchendo um saco de pedras preciosas.  Josefina deu um grito de alegria e educadamente pediu: 
-Pode me fazer o favor de indicar a saida? 
O homenzinho deu um salto e virou-se para ela muito zangado.
- Como foi que você veio até aqui?, gritou-lhe. Tenho tanto trabalho para impedir que aqui entrem repugnantes fadas! Só querem roubar as minhas coisas, pois não se contentam com as suas.
- Ouça, respondeu Josefina cheia de terror, eu não quero suas pedras preciosas, o que realmente quero é almoçar, pois tenho muita fome. E desatou a chorar. 
O homenzinho olhou um instante para ela, fez uma careta, e disse: 
- Não és uma fada, mas sim uma menina pateta. Não sabia que as meninas pudessem ser tão pequeninas. 
O homenzinho ficou muito contente ao ver que Josefina não era uma fada criminosa, pois as fadas não choram. 
Queres almoças? perguntou-lhe, isso é fácil.  E tirando do bolso uma varinha, deu com ela algumas voltas  no ar e... o que aconteceu?  Todas as conchinhas que havia por ali se transformaram em pastéis, frutas, bolos, fiambres, confeitos, etc. 
Então Josefina sentou-se e comeu à vontade tudo o que quiz. Enquanto isso o homenzinho voltou ao seu trabalho de encher o saco de pedras preciosas. 
Quando Josefina acabou de comer, levantou-se e tossiu ligeiramente. 
- Com licença, disse-lhe muito tranqüíla. Já comi bastante. Obrigado, muito obrigado! e agora pesso-lhe  que me ensine o caminho de volta para o outro lado. 
O homenzinho virou-se e disse: 
- Falas muito bonito, mas aposto que estás imaginando que eu sou um homem mau. Posso até parecer assim, mas a culpa é das fadas. Já fiz tudo o que pude para esconder esse caminho que me traz até aqui, mas, apesar disso elas sempre vem roubar as minhas pedras e por isso vou transportá-las para outro lugar mais escondido. 
- E para onde vais levá-las? peruntou Josefina. 
O homezinho olhou para ela e simplesmente exlamou; - Ah!. 
Logo a Josefina, que era muito inteligente, compreendeu que aquilo era um segredo e então lembrou-se das pedras que havia posto nos seus bolsos.
- Sou tão má quanto as fadas, dise ela. Eu também roubei umas pedras preciosas, mas peço perdão. E tirou do bolso, uma perola, um diamante eum rubi. Então o homenzinho disse que poderia ficar com elas, mas tinha de prometer que nunca contaria  a ninguém onde havia encontrado aquelas preciosidades.  Josefina prometeu e pergutou-lhe novamente pelo caminho de volta para casa.
- Vem, dise-lhe o homenzinho; e levou-a até a entrada da toca. 
- Agora deite-se no chão e feche os olhos que daqui aluns instantes estara em sua caminha. 
Josefina obedeceu; fechou os olhos logo adormeceu profundamente. Quando acordou estava em sua própria cama. 
- Naturalmente tudo isso foi um sonho, disse ela. E para ter certesa, saltou da cama e pos a mão nos bolsos do vestido. Sentiu que havia alguma coisa rígida lá dentro. Cheia de expectativa e curiosidade retirou um dos objetos.  Era um lindíssimo diamante. Tornou a por a mão no bolso e então veio uma pérola, tão grande quanto um ovo de coderna.  Pos a mão novamente e, ao retirar, percebeu que era um rubi do tamanho de uma maçã. Percebendo que não se tratava de um sonho ficou muito radiante.
Quando foi almoçar com seus pais, mostrou-lhe seu tesouro. Eles ficaram muito espantados e quizeram saber de onde tinha vindo tal preciosidade, mas ela lembrando da promessa feita, apenas disse: 
- Prometi não dizer.
-Muito bem, Josefina, disse-lhe a mãe, que gostava muito que ela cumprisse as suas promessas.
Pensando no futuro da filha, seus pais concordaram que seria melhor vender as jóas e guardar o dinheiro para quando Josefina se tornasse adulta. Assim foi feito. 
Quando chegou à maioridade, Josefina comprou uma bela casa com jardim onde recolhia e ajudava todos os pobrezinhos que encontrava. 
Josefina mereceu tudo isso porque foi honesta e cumpriu sua palavra. 
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Pesquisa e adaptação: Romeo Zanchett 
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quarta-feira, 27 de abril de 2011

SINDBAD - O MARIHEIRO


                                     SINDBAD  -  O MARINHEIRO
Sindbad estava sentado, descansando na sua nova casa em Bagdad, que havia construido recentemente, quando ouviu um pobre carregador de rua dizer:
- Os homens não recebem a recompensa conforme merecem. Tenho trabalhado mais do que Sindbad e, no entanto, ele vive no luxo e eu na miséria.
Comovido com a queixa do carregador de rua, Sindbad convidou-o para entrar e ouvir a história de suas aventuras.
- Talvez quando souberes o que passei para adquirir minha riqueza, disse-lhe Sindbad, fique mais contente com a sua sorte. Repare no meu cabelo branco e minha cara já gasta; até pareço um velho. Eu era jovem e forte quando embarquei para tentar fazer minha fortuna  em países estranhos.  Saiba que, pouco depois de partirmos, o nosso navio foi apanhado por uma calmaria numa pequena ilha. Quando desembarcamos para examinar de perto, descobrimos que aquilo não era terra e sim o dorso de uma grande baleia.  Mal pusemos os pés para descer e ela começou a sacudir-se e logo mergulhou para o fundo do mar.  Ficamos todos assustados, nos debatendo e procurando algo para nos salvar do afogamento.  Agarrei-me a um grande pedaço de madeira e a corrente marítima acabou me conduzindo à praia de uma ilha deserta.
- Já na ilha, imaginei que estaria salvo, mas ao caminhar algumas léguas fui dar num grupo de arvores frutíferas, entre as quais estava escondida uma grade bola branca de uns cincoenta pés de tamanho.  Eu já estava muito cansado, por isso, depois de comer alguns frutos, deitei-me para dormir à sombra da bola branca. Já estava cochilando quando, ao olhar para o alto, vi que o céu estava escuro  pelas asas de uma ave gigante.  
- Céus! exclamei. Esta grande bola branca é o ovo daquela ave monstruosa, que os marinheiros chamam de Roc.
Em seguida o Roc pousou sobre o ovo, debaixo do qual eu estava, e uma das suas garras, que era do tamanho do tronco de uma arvore, prendeu-se em mim.
No dia seguinte, de manhã bem cedo, o Roc levantou voo e levou-me a tal altura que eu já nem via mais a terra. Depois desceu com tanta velocidade que por pouco eu não perdi os sentidos. Quando ele passou perto do chão consegui soltar-me  da sua garra, e vi então que estava num vale muito profundo, cercado de montanhas altíssimas e íngremes  por todos os lados.
- Aquele era o vale dos diamantes!  todo o chão estava coberto de pedras preciosas. Cheio de alegria, comecei encher meus bolsos  com quantas pedras podia. Mas minha alegria durou pouco, pois o vale estava cheio de serpentes e eu não sabia como sair dali.
Em seguida escondi-me numa caverna e tapei a entrada com um pedregulho, mas não pude dormir nada devido ao sibilar das serpentes.  De madrugada elas desapareceram, pois tinham medo do Roc, que costumava ir ao vale em busca de alimento. Então saí da caverna, mas logo fui derrubado por uma coisa qualquer que vinha aos trambulhões montanha abaixo. Era um grande pedaço de carne fresca que, à medida que ia rolando, nele se grudavam os diamantes que estavam no seu caminho, como se fosse uma bola de neve. Então olhei para cima e vi que no alto da montanha havia um grupo de homens que se preparava para atirar outro pedaço de carne.  Eu já tinha houvido falar dessa forma de catar diamantes e naquele momento me parceu ser também uma boa forma para me salvar.
- Então, atei-me ao pedaço de carne, escondendo-me debaixo dele. Pouco depois apareceu uma águia que agarrou a carne e levou-me junto para o alto da montanha. Em seguida, o grupo de homens afugentou a águia e virou a carne para tirar os diamantes que nela estavam grudados. Foi assim que me encontraram.
Quando os homens tinham tirado todos os diamantes que queriam, embarcamos de volta par nosso país. Mas, ao passar  pela ilha deserta, os meus companheiros  desembarcaram com um machado e abriram a grande bola branca. Ouviu-se um grande grito no céu. Era o Roc que tinha nos visto. Todos desataram a correr em direção ao navio, mas o Roc nos seguiu segurando nas garras um grande pedaço de pedra que deixou cair sobre o nosso navio. Acabamos todos caindo no mar.
Agarrei-me com uma mão num pedaço de madeira  do navio e com a outra fui nadando conforme podia, até que consegui chegar a uma outra ilha.
- Era um lugar maravilhoso! rios corriam entre os vinhedos carregados de uva e pomares com diversas espécies de fruta. Ali encontrei um velho muito esquisito que me fez sinal para levá-lo às costa na travessia do rio. Mas, mal eu o coloquei nas costas e ele cruzou as pernas  em volta do meu pescoço,  e foi apertando até que desmaiei.  Quando acordei  vi que ele ainda estava a cavalo nos meus obros. Assim ficou todo o dia e a noite, permanecendo até a manhã seguinte.
A partir daquele dia ele me tornou seu escravo. Quando fiz algum vinho para beber e não perder as forças, ele o tomou de mim e bebeu tudo. Felizmente o vinha era forte de mais para ele que então descruzou as pernas e me soltou no chão. Então, para me livrar dele definitivamente, eu o matei ali mesmo.
Voltando à praia, encontrei alguns marinheiros que me trouxeram de volta para Bagdad.
-Mais tarde fiquei sabendo que aquele era o velho do mar e que eu tinha sido o primeiro  a escapar de ser estrangulado por ele.
- E agora, meu caro amigo, não achas que sou merecedor da minha fortuna?, disse-lhe Sindbah, dando-lhe um bom e valioso presente.
E o entregador de rua foi-se embora todo feliz para nunca mais julgar sem saber a verdade.
Pesquisae  adaptação. 
Nicéas Romeo Zanchett
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terça-feira, 26 de abril de 2011

DANÇA DAS DOZE PRINCESAS


                                    A DANÇA DAS DOZE PRINCESAS
Era uma vez um rei que tinha doze filhas muito lindas. Dormiam em doze camas no mesmo quarto. Quando iam para a cama, as pórtas do quarto eram todas fechadas com chave.  Todas as manhãs, porém, os seus sapatos tinham as solas gastas, como se tivessem dançando com eles a noite toda. Ninguém conseguia saber como isso tinha acontecido. 
Para descobrir o que de fato estava acontecendo, o rei  anunciou a todo o reino que se alguém pudesse descobrir o segredo, e saber onde é que as princesas dançavam de noite, casaria com aquela de quem mais gostasse e seria rei depois de sua morte. Entretanto, se alguém tentasse descobrir e ao fim de tres dias e tres noites não conseguisse, seria morto. 
Logo apresentou-se o filho de um rei, como primeiro candidato.  Foi muito bem recebido e à noite levaram-no para o quarto ao lado daquele onde as princesas dormiam nas suas doze camas. Ele tinha que ficar sentado para ver onde elas iam dançar e para que nada acontecesse sem que ele ouvisse. Para isso deixou a porta do seu quarto aberta. Mas o jóvem acabou adormecendo, e quando acordou de manhã percebeu que as princesas tinham dançado a noite toda, pois as solas dos seus sapatos estavam cheias de buracos. O mesmo fato aconteceu nas duas noites sequintes e, conforme havia dito, o rei ordenou que lhe cortassem a cabeça. 
Depois dele vieram outros jovems, mas nenhum teve melhor sorte e todos acabaram perdendo a própria vida. 
Um certo dia, um velho soldado, que tinha sido ferido em combate e já não podia tornar a combater, atravessava o pais daquele rei.  Um dia, ao passar por uma floresta, encontrou uma velha  senhora, que lhe perguntou para onde ia.
- Quero descobrir onde é que as doze princesas dançam a noite, e assim ainda terei tempo de me tornar rei.
- Bem, disse a velha senhora, isso não é muito dificil. Basta que tenhas cuidado e não beba nada do vinha que uma das princesas te trará à noite. Então, logo que ela se afastar, deve fingir que adormeceu.  Apos dar essa orientação, deu-lhe uma capa e continuou dizendo: - Logo que puseres essa capa, tu te tornarás invisível e poderás seguir as princesas, para onde quer que elas forem, sem ser visto por ninguém.
Apos ouvir esses conselhos, o velho soldado foi falar com o rei, que mandou seus súditos dar-lhe ricas vestes para trajar. Quando a noite chegou, conduziram-no até o quarto de fora, onde deveria ficar para descobrir o segredo das doze princesas.  Já ia deitar-se quando a mais velha das princesas trouxe-lhe um taça de vinho que o soldado entornou-a sem que ela percebesse.  Depois deitou-se na cama e logo pos-se a roncar como se estivesse dormindo profundamente. 
Quando as doze princesas ouviram seu ronco, puseram-se a rir, levantaram-se a abriram as malas onde guradavam seus ricos vestidos e puzeram-se a saltitar de contentes, como se estivessem se preparando para dançar, mas, a mais nova delas dise:  
- Não me sinto bem. Tenho a premonição de que vai nos acontecer algo desagradável. 
- Tola! disse a mais velha. Já não te lembras de quantos filhos de reis que vieram nos espiar  sem resultado?  E, quanto ao soldado, tive o cuidado de lhe dar a bebida para fazê-lo dormir. 
Quando estavam todas prontas foram juntas olhar o soldado, mas ele continuava a roncar e nem se mexia.  Então elas julgaram-se seguras. Dando continuidade ao costumeiro artifício, a mais velha das princesas foi até próximo à cama e bateu palmas. Imediatamente abriu-se ali um alçapão com uma escada por onde todas elas desceram, umas atrás das outras.  Então o soldado levantou-se, pôs a capa que a velha senhora lhe tinha dado e segui-as. Mas, por um descuido, o soldado pisou na cauda do vestido da princesa mais nova que gritou para as irmãs: 
- Alguém me puxou pelo vestido! 
- Que tola! dise a mais velha. Foi algum prego que está na parede.
E lá se foram todas descendo e, quando chegaram ao fim do caminho, havia a um bosque de lindas arvores.  As folhas eram todas de prata e tinha um brilho maravilhoso. O soldado, que vestido com a capa estava invisível, partiu um raminho de uma  das arvores para levar de lembrança.
Em seguida as princesas continuaram sua caminhada  chegando a outro bosque, onde as folhas das arvores eram de ouro; cotinuaram a caminhada e chegaram a um bosque onde as arvores tinhas folhas de diamantes. O soldado, que as acompanhava de perto, foi partindo um raminho de cada arvore. 
Depois de muito caminhar, chegaram a um grande lago onde haviam doze barquinhos enconstados na margem, com doze príncipes jovens e muito lindos, que ali estavam à espera das princesas. 
Cada uma das princesas entrou num dos barquinhos e o soldado, para não ficar atrás, entrou no barquinho da princesa mais nova.
Quando já iam atravessando o lago, o príncipe que remava o barquinho com a princesa mais nova, disse-lhe: 
- Não sei por que, mas, apesar de estar remando com toda a minha força, parece que estamos indo mais devagar do que de costume. O barco parece estar mais pesado. 
- Deve ser o calor do tempo, disse-lhe a jovem princesa. 
Do outro lado do lago havia um grande castelo, de onde vinha um belo som de clarins e trombetas. Desembarcaram todos e entraram para o castelo. Cada príncipe dançou com sua princesa e o soldado invisível dançou entre eles também.
Como era de costume, colocavam uma taça de vinho aos pés de qualquer uma das princesas para que bebesse. O soldado, que não perdia tempo, bebia todo o vinho e quando a princesa levava a taça a boca, já estava vazia. 
A irmã mais nova, que era muito desconfiada,  já estava assustada com o que estava acontecendo, mas a mais velha mandou que se calasse.
Dançaram até as tres horas da madrugada. Então, com os sapatos já gastos, tiveram de parar.  Os principes levaram-nas de volta até a outra margem do lago e, desta vez, o soldado entrou no barquinho da princesa mais velha. Ao chegarem ao outro lado, despediram-se prometendo voltar na noite seguinte. 
Quando chegaram ao pé da escada do alçapão, o soldado adiantou-se  e subiu primeiro, indo deitar-se imediatamente. 
As princesas, que subiram devagar por estarem muito cansadas, passaram pela cama do soldado, e vendo que ainda estava roncando, disseram: 
 -Esta tudo muito bem!
Depois despiram-se, guardaram novamente seus ricos trajes, tiram os sapatos e deitaram-se. 
Na manhã, o soldado levantou-se, mas não disse nada do que tinha visto. Decidiu que seria melhor repetir com elas, por mais duas noites, todo o trajeto feito na primeira noite. Entretanto, na terceira noite, para provar seus relatos ao rei, o soldado trouxe de volta consigo uma taça de ouro que pegou no castelo.
Quando chegou a hora de revelar o segredo das princesas foi levado à presença do rei. Levou consigo os tres ramos colhidos das arvores e a taça de ouro. 
Imaginando o que iria contecer, as princesas puzeram-se atrás da porta para escutar o que ele diria. E então o rei lhe perguntou:
- Onde é que as minhas doze filhas dançam a noite?
- Com doze príncipes num lindo castelo debaixo da terra, respondeu o soldado.
Depois contou ao rei tudo o que tinha sucedido, mostrando-lhe os tres ramos e a taça de ouro que trouxera consigo. 
Então o rei chamou as princesas e perguntou-lhes se era verdade o que o soldado tinha dito. Elas, vendo que seu segredo havia suido descoberto, confessaram tudo. E o rei perguntou ao soldado com qual delas queria casar. 
- Como já não sou muito novo, quero a mais velha, respondeu o soldado. 
Casaram-se no mesmo dia, e o soldado, que tinha seguido os conselhos da velha senhora, ficou sendo o herdeiro do trono.
História original dos Irmãos Grimm - Livro dos Contos.
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 Pesquisa e adaptação> Nicéas Romeo Zanchett 
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sábado, 23 de abril de 2011

OS TRES PORQUINHOS


                                              OS TRES PORQUINHOS
Era uma vez tres porquinhos que sairam pelo mundo à procura de fortuna.
O primeio porquinho não andou muito, encontrou um homem que levava um fardo de palha e disse-lhe:
- O senhor poderia me dar um pouco dessa palha para eu fazer uma csa?
- Com muito prazer, respondeu o homem, e deu-lhe uma boa quantidade.
O porquinho saiu todo contente e fez sua casa.
Havia por perto um lobo, muito atrevido, que decidiu comer o porquinho no jantar. Logo que escureceu o lobo chegou e bateu à porta do porquinho e perguntou: 
- Amigo porquinho eu sou seu visinho próximo; posso entra na sua linda casa? 
Mas o porquinho, reconhecendo que aquela voz era do lobo, respondeu logo: 
- Não, não, não entres, te juro pelo pêlo de minha barbicha, icha, icha.
- Oh! oh! gritou o lobo, então vou soprar e uivar até fazer sua casa cair!
E assim fez: Soprou, uivou, soprou, soprou, uivou de tal maneira que a casa caiu;  e o lobo comeu aquele porquinho.
O segundo porquinho encontrou um homem que levava um amarrado de lenha para fazer fogo e aquecê-lo no inverno. 
- O senhor poderia medar alguns paus desses para eu fazer uma casa? 
- Claro que sim, com muito prazer, respondeu-lhe o bom homem, e deu-lhe os paus que havia pedido. 
Lá se foi o porquinho fazer sua casa com toda a segurança possível.
Na noite seguinte, o lobo que estava à sua espreita, decidiu que ele também seria sua refeição noturna. Bateu à porta da casa e disse: 
- Diga-me amigo porquinho, posso entrar na sua casa?. Sou seu vizinho e gostaria de lhe fazer uma visita.
- Não, não, não entres, te juro pelos pêlos da minha barbicha, icha, icha!
- Oh! oh! respondeu o logo muito zangado,  então vou soprar e uivar até fazer sua casa cair!
E assim fez, soprou, uivou, soprou e uivou até  que a casa também acabou caindo. Saltou sobre o pobre porquinho  e comeu-o todo!
O terceiro porquinho era muito mais esperto do que os outros. Encontrou um homem que carregava muito tijolos e pediu-lhe  alguns para fazer a sua casa.
- Pois não, meu caro porquinho. Pode ficar com quantos precisares.
O porquinho construiu sua casa e não tardou muito para também receber a visita do lobo.
- Que linda casinha, meu caro porquinho, posso entrar para visitá-lo?
- Não, não, não entres, pelos pêlos  da minha barbicha, icha, icha, te juro!
- Então vou soprar e uivar até que a tua casa caia!
Mas desta vez a casa não caiu; era feita de tijolos e muito forte; ele soprou, uivou, soprou, uivou, e nada; a casa restitia a tudo; e ele acabou por ir-se embora muito zangado e faminto.
No dia seguinte voltou e disse ao porquinho:
- Sabes, porquinho, eu conheço um campo, muito perto daqui, onde existem nabos muito bons! Não queres que te leve até lá?
Se quizer, amanhã de manhã eu passo por aqui e vou lhe mostrar o caminho, sim?
Na manhã seguinte, quando o lobo chegou e pergutou:
- Estás pronto, porquinho, para ires comigo?  
- Chegaste muito tarde! Eu já fui lá e já voltei ha mais de uma hora! Agradeço-lhe muito pela dica sobre os nabos, eram realmente muito gostosos! , respondeu o porquinho.
Diante dessa resposta, o lobo ficou furioso, mas fingiu não se importar  e disse muito amavelmente:
- Diga-me, porquinho, você gosta de maçãs? Eu sei onde há um pomar que tem essas lindas frutas, se quizeres volto amanhã de manhã para te mostrar o caminho.
No dia seguinte  o lobo levantou-se muito cedo e foi à casa do porquinho, mas ele tinha se levantado  mais cedo ainda, porque já havia saído.
 O lobo então resolveu ir até o pomar, mas o porquinhos esperto o viu se aproximando e subiu numa árvore.
Quando o lobo chegou, disse-lhe:
 Muito obrigado por ter me dado esta dica. As maçãs são realmente muito gostosas.  Come esta! e atirou uma para be longe, dentro de uma capinzal bem crescido; e enquanto o lobo tentava encontrá-la, o porquinho fugiu para casa.
O lobo, cada vez mais zangado por ter sido novamente enganado pelo esperto porquinho,  decidiu que, no dia seguinte, iria novamente com uma historia mais convincente, capaz de enganar qualquer um esperto.
No dia seguinte o lobo chegou à casa do porquinho e disse-lhe: 
- Sabes, porquinho, esta tarde vai haver uma feira na pracinha da aldeia; vamos lá juntos e verás como iremos nos divertir. Sim? Venho buscá-lo às tres horas da tarde. 
 O porquinho não disse nada, mas saiu de casa as duas e meia e foi para a feira. Lá comprou uma moringa para guardar água, e ia muito satisfeito com ela de volta para sua casa quando avistou o lobo; logo que o viu resolveu entrar na moringa e fazê-la rolar pelo morro abaixo! O morro era muito íngreme, fez a moringa rolar com tanta rapidez que o lobo assustou-se e fugiu apavorado.
Mais tarde, quando já tinha se recuperado um pouco do susto, o lobo tornou a ir à casa do porquinho:
- Sabes porquinho, esta tarde eu ia para feira quando encontrei uma coisa horrivel correndo pelo morro baixo; assustei-me muito;  tenho certeza que era alguma bruxa!
 O porquinho, ao ouvir isso , riu tanto que o lobo acabou ficando muito aborrecido!
- Eu era a bruxa, disse o porquinho logo que pode falar. Eu o vi de longe e entrei dentro da moringa para salvar minha pele.
Ao ouvir isso, o lobo ficou tão furioso  que subiu no telhado  e começou a descer pelo chaminé abaixo. Mas era dia de fazer pão na casa do porquinho e na lareira havia um fogo enorme. O lobo caiu no meio das brasas e morreu queimado.
E assim acabou o lobo malvado que tanto mal fazia aos animaizinhos indefesos.
Pesquisa e adaptação  > Romeo Zanchett
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O CHACAL E O LEÃO

                                              O CHACAL E O LEÃO
Durante um verão muito quente, secaram-se todos os rios e os animais não tinham água para beber.  Depois de muito procurarem encontraram uma fonte; mas quase não tinha água.
- Vamos nos unir e cavar um grande poço, disse o leão, e assim teremos água suficiente para todos bebermos. 
O chacal, que era muitofolgado e preguiçoso, negou-se a trabalhar com os outros animais; estes, quando concluiram o trabalho, disseram: 
- Agora temos que vigiar o nosso poço para que o chacal não venha beber nossa água, pois ele não nos ajudou cavar.
- Eu me encarrego disso, falou o leão; e se esse chacal folgado vier beber uma única gota, eu dou cabo dele.
Depois de algum tempo chegou o chacal e começo a brincar alegremente em volta do poço. Sentou-se ao lado do leão, e sem beber uma única gota de água, tirou do bolso um bom pedaço de excelente favo de mel, e disse: 
- Como pode ver, senhor leão, não estou com sede. Olhe só que mel delicioso  eu trouxe comigo!
- Deixe-me provar, disse o leão.
E o chacal deu-lhe um pouco do mel para provar.
- Que mel maravilhoso! acrescentou o leão. Dê-me mais um bocadinho, meu caro amigo. 
- Para melhor acreciar seu doce sabor deve deitar-se de costas e deixar que eu lhe coloque na boca, respondeu o chacal. 
Sem pensar duas vezes, o leão deitou-se logo de costas e começou  a agitar as peludas patas, imaginando o delicioso banquete que lhe seria dado em seguida.
- Tenho medo que me faça algum mal com suas grandes unhas, disse o chacal.  Deixe-me amarrar-lhe as patas e assim poderei me aproximar melhor para servir-lhe o mel na boca, sem nenhum receio.  
Então o leão deixou que ele lhe amarrasse as patas com uma grossa corda, mas o chacal, em vez de lhe dar o mel que prometera, correu para o poço e bebeu água até se fartar.
Quando o leão o viu encaminhar-se para casa, falou-lhe logo:
- Senhor Chacal! Sr. Chacal! Querido Sr. Chacal! Não me deixe aqui com as patas atadas.  Todos os outros animais irão rir de mim e perderei minha autoridade de rei da selva. Pela honra de meu nome, sempre deixa-lo-hei beber quanta água queira se me der a liberdade imediatamente.
Então o chacal pensou: se eu não libertar o leão qualquer outro o fará e o rei dos animais não descansará enquanto não se vingar de mim. Será melhor confiar na palavra dele e libertá-lo antes que chegue alguém.
O chacal aproximou-se do leão, deu-lhe um pouco de mel e o libertou, como haviam combinado anteriormente. 
E cumprindo a palavra de rei, o leão deu ordem a todos os animais que sempre deixassem o chacal beber quanta água quisesse.
Pesquisa e adaptação do conto > Romeo Zanchett
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O CAMPONEZ E OS TRÊS LADRÕES


                                   O CAMPONEZ E OS TRES LADRÕES
Dirigia-se uma camponez ao mercado, montado no seu burro, levando presa e marchando atraz dele uma cabra que tinha a intenção de vender.  Enquanto caminhava, lentamente, fazia as contas do lucro que teria vendendo aquele animalzinho. Sem que percebesse foi visto por três ladrões, cujas intenções não eram boas.
- Olha quem vem ali; um bom peixe para nossa rede, disse um deles. - Vou tirar-lhe a cabra sem que ele nem perceba.
- Eu farei mais que isso, disse o segundo;  também levarei o burro com a sua autorização e ele ainda vai me agradecer.
- Pois eu ainda farei melhor que vocês dois, acrescentou o terceiro; ele me entregará tudo e ainda me chamará de meu amigo. 
Separaram-se os tres para pôr em prática os seus planos.
O primeiro continuou caminhando atraz do campones que, não suspeitando de nada, ia feliz e com toda a tranqülidade, pensando no dinheiro  que ganharia com a venda da cabra. O mal intencionado ladrão  aproximou-se cautelosamente  dele, cortou a corda da cabra e tirou o chocalho que ela levava no pescoço, atando-o no rabo do burro. Dessa forma continuaria a soar e o camponez imaginaria que a cabra estava marchando atraz.
Em seguida, o ladrão tratou de desaparecer o mais rápido possíve. Passado algum tempo, o camponez casualmente olhou para traz e teve a desagradável surpresa de constatar que a cabra não o estava acompanhando, embora o chocalho continuasse a soar. Imediatamente, muito atrapalhado,  correu de um lado para outro, perguntando pela sua cabra a todos que encontrava pelo caminho. Encontrou então o segundo ladrão e lhe perguntou se avistara sua cabra.
- Ainda ha pouco, respondeu-lhe, vi passar naquela direção um homem com uma cabra que, pelo visto, é a sua. E continuou - se você quer encontrá-la corra depresse para este lado, que eu posso ficar um instante tomando conta do seu burro.
O ingênuo camponez agradeceu-lhe reconhecendo as boas intenções e confiou-lhe o burro,  partindo apressadamente para a direção que o segundo ladrão lhe tinha indicado. Este, por sua vez, esperou o camponez se afastar, montou no burro e desapareceu um direção contrária.
Como era de se esperar, o camponez  não encontrou a sua cabra e quando, desesperado, regressou  em busca do burro, uma nva decepção o esperava: não mais enconctrou o falso amigo que se encarregara de tomar conta dele. Percebeu então que tinha sido vítima de um outro roubo e ficou muito indignado com os dois ladrões que o roubaram e também consigo mesmo por ter se deixado  enganar.
- Isto me servirá de lição. A partir de agora ficarei atento e quem quizer me roubar terá de ser muito esperto.
Resolveu então voltar para casa.  Quando caminhava de volta ouviu  fortes soluços que vinham de um poço que havia na beira da estrada. Chegando lá, ficou comovido ao encontrar um homem que chorava amargamente. Era o terceiro ladrão.
- O que é que você tem para chorar dessa maneira? disse-lhe o camponez. Por acaso achas que é o único homem desesperado que há no mundo? E continuou dizendo: - você não pode estar mais desesperado que eu. Estava indo ao mercado vender uma cabra e roubaram-na junto com meu burro.
- Isso não é nada em comparação ao que me aconteceu, replicou o ladrão. Eu estava levando um pacote cheio de jóias preciosas, e, ao sentar-me para descansar junto a este poço, derrubei meu tezouro lá dentro, e agora não posso mais recuperá-lo.
O camponez inclinou-se sobre o poço, olhou demoradamente e, embora nada visse, disse ao terceiro ladrão:
- Mas porque você  não vai lá dentro buscá-lo:
- Pobre de mim! Não sei nadar e certamente me afogaria. Se alguém fosse lá apanhar o meu tezouro, lhe daria de bom grado a metade dele.
- Isso que dizes  é certo? Se estiver falando a verdade eu mesmo irei lá embaixo buscá-lo, respondeu-lhe o crédulo camponez, imaginando que assim poderia recuperar os prejuizos que tivera e ainda sairia no lucro.
- Pode ter certeza que cumprirei o que disse; se recuperar meu tezouro, replicou o ladrão, te darei a metade das minhas jóias.
Dito isto, livrou-se o camponez de suas pesadas roupas e, agradecendo ao bandido por lhe dar a oportunidade de, com as jóias, adquirir um burro e uma cabra, atirou-se ao poço. Como sabemos, embora tenha procurado muito, nada encontrou. Voltando à superfície, qual não foi sua nova decepção. O terceiro ladrão havia sumido com suas roupas. Foi então que percebeu que tinha sido enganado pela terceira vez.
   Adaptação do conto > Romeo Zanchett
http://gotasdeculturauniversal.blogspot.com/