Total de visualizações de página

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O GATO DE BOTAS - C. Perrault


O GATO DE BOTAS 
Por C. Perrault
Adaptação: Nicéas Romeo Zanchett 
                     Numa pequena cidade, um pobre moleiro vivia com seus três filhos. Os únicos bens que possuíam eram o moinho, um burro de carga e um gato. 
                     Quando o pobre homem morreu, o filho mais velho herdou o moinho; o segundo filho herdou o burro; o mais moço ficou com o gato. 
                      Este último não fico nada satisfeito com a divisão da herança e pensava: - Meus irmãos, com o que herdaram, podem trabalhar e ganhar dinheiro; já eu, que posso fazer? Nada me resta a não ser matar o gato para comê-lo. Depois, a única coisa que fosso fazer é esperar e morrer de fome.... 

                      Sentou-se num canto da casa, triste e pensativo. De repente ouviu uma vozinha delicada e ficou surpreso quando percebeu que era o seu gato. Dizia assim: 
                      - Não se desespere, meu caro dono; tenha confiança em mim que vou ajudá-lo. Preciso apenas de um alforje (saco fechado nas extremidades) e um par de botas. Depois deixe-me agir livremente e verá oque posso fazer.... 
                      O jovem rapaz olhava muito espantado para o gato. Mas, resolveu dar-lhe o alforje e as botas que pedira. O bichano agradeceu-lhe muito, saudou-o com alegria, despediu-se e desapareceu. Foi até um campo onde havia muitas lebres. Conseguiu caçar uma, enfiou-a no alforje e dirigiu-se ao palácio do rei. 
                     Quando chegou ao palácio foi recebido pelos cortesões, que acharam muito engraçado aquele gato de botas, riram-se muito, mas deixaram-no passar. 
                      Ao chegar até o rei, o bichano fez uma reverência e lhe disse: 

                     - Majestade! Aceitai esta lebre. É um presente do meu amo, o marques de Carabás. 
                     - Muito obrigado, gatinho, respondeu o rei. E diga ao seu amo que o presente muto me agradou. 
                    Alguns dias depois o gato caçou duas gordas perdizes e levou-as também ao rei, que ficou muito agradecido. 
                     No dia seguinte, estando o rei a passeio com sua filha, linda como o sol, ouviu alguns gritos que vinham do rio: 

                      - Socorro! Socorro!... 
                      Imediatamente foi ver o que estava acontecendo e lá encontrou o gato de botas, que com as patas e o rabo lhe fazia gestos desesperados e gritava: 
                     - Socorro! Depressa! O marques  de Carabás está se afogando...
                     Realmente o rei viu emergir na água uma cabeça e dois braços. 
                     O ardiloso gato havia dito a seu amo que fosse tomar banho no rio e fingisse que estava se afogando quando o rei passasse com sua filha. 
                     O moço, que já conhecia a esperteza do seu bichano, confiando nele, obedeceu sem nada perguntar. 
                     Por ordem do rei, o suposto marques de Carabás foi retirado do rio pelos seus guardas. 
                      Como estava em trajes menores, o gato começou a gritar: 
                      - Ai! meu pobre amo! Os ladrões lhe roubaram as roupas... 
                      - Isso não é nada! disse o rei. Quero que imediatamente vá um pajem ao palácio e traga roupas, das melhores, para o gentil marques de Carabás! 

                      Assim se fez e pouco depois o jovem apresentou-se ao rei e à sua filha, magnificamente vestido. Era um rapaz muito elegante. A princesa ficou impressionada e dirigiu-lhe o mais doce dos olhares... 
                      Enquanto isso acontecia, o gato tinha seguido sozinho pela estrada. 
Lá adiante encontrou uns camponeses ceifando trigo. Disse-lhes energicamente: 
                      - Quando o rei passar por aqui, digam-lhe, sob pena de morte, que estas terras pertencem ao marques de Carabás! 

                     Pouco depois o rei chegou àquele lugar e perguntou aos camponeses: 
                     - Me digam senhores, de quem são estes belos campos trigo? 
                     - São do marques de Carabás, responderam eles prontamente, enquanto olhavam para os verdes e ameaçadores olhos do gato de botas. 
                     O rei admirou aquelas férteis terras e a viçosa plantação de trigo, felicitando o marques de Carabás. 
                     A essa altura o moço já estava aturdido com tanta coisa que estava lhe acontecendo. Mas, mesmo sem compreender bem o que se passava, agradeceu ao rei, com muitas mesuras. 
                     Dando continuidade ao seu plano, o gato adiantou-se na estrada e chegou ao castelo de um feiticeiro. 
                     Enchendo-se de coragem, entrou, apresentou-se ao dono, inclinou-se dizendo ao mesmo tempo: 
                     - Bom dia, senhor mago! 
                     - Bom dia, senhor gato! respondeu o feiticeiro. Que que de mim? 
                     - Posso fazer uma pergunta? 
                     - Como não? Pode perguntar-me qualquer coisa. A tudo sei responder! 
                     - Ouvi dizer que é tão poderoso que pode se transformar em um animal qualquer e, como isso me parece muito extraordinário, eu queria ver com meus próprios olhos!... 
                    - É muito fácil, disse o mágico. Pois vai ser atendido em sua curiosidade. 
                    Dito e feito. Imediatamente transformou-se num leão, a rugir furiosamente. O gato tremia de medo. Mas, por felicidade, o encanto durou pouco e o feiticeiro logo recuperou sua forma humana. 
                     Logo que se refez do susto, o gato disse ao mago: 
                     - Muito bem!  Que coisa espantosa! O senhor é mesmo muito poderoso! Porém, parece-me impossível - e é o que dizem - que possas transformar-se num animal pequeno... Por exemplo, um ratinho... 
                     - Impossível? Quem disse tal besteira? Pois verá se posso ou não. e se transformou num pequeno rato. 
                     Então, de um só salto, o gato atirou-se sobre o ratinho e devorou-o sem piedade. 

                     Logo em seguida, saiu correndo do palácio do bruxo e foi ao encontro do seu amo, do rei e da princesa, dizendo-lhes com grandes reverências: 
                     - Majestade! Princesa! Rogo-lhes que visitem o palácio do meu dono, o marques de Carabás! 
                     A essa altura o jovem rapaz já nem sabia mais o que pensar, tais eram as surpresas que seu gato lhe aprontava. Mas ficou na dele, esperando o que iria acontecer em seguida. 
                      O rei entrou no belo palácio do feiticeiro com seu cortejo, e todos ficaram admirados com seu luxo e riqueza. 
                     A princesa, que já estava encantada pelo rapaz, ficou impressionadíssima; lançava-lhe os mais cativantes olhares e só pensava em casar-se com ele. Aproximou-se de seu pai, o rei, dizendo-lhe que ficaria muito feliz se lhe permitisse casar-se com o marques de Carabás. O consentimento foi imediatamente dado com grande alegria. 
                     Poucos dias depois, o casamento realizou-se com muta ponta e grandes festejos. 
                     Na festa, o gato de botas comeu tantos ratos assados que quase morreu de indigestão. 

                     A partir daquele dia, o moço pobre e seu gato, viveram felizes no palácio em companhia do rei, dos príncipes e da princesa, que então era sua esposa. 
                     O moço pobre filho do moleiro, nuca se arrependeu de seguir os conselhos do seu astuto e querido bichano. 
                     Os seus irmãos, que pensaram tê-lo passado para trás, só ficaram sabendo, mais tarde, que estava casado com a princesa. 

.
Nicéas Romeo Zanchett 
 .
LEIA TAMBÉM >>> CONTOS E FÁBULAS DO ROMEO

domingo, 4 de agosto de 2013

HENRIQUE, O PREGUIÇOSO - Irmãos Grimm




HENRIQUE, O PREGUIÇOSO 
 Pelos Irmãos Grimm 
de 
Contos e Lendas 
                   Era uma vez um grande preguiçoso chamado Henrique, o qual, embora não tivesse outra coisa a fazer senão levar diariamente a cabra a pastar, todavia, à noite, após terminado o dia de trabalho, se punha a suspirar: 
                    - É, na verdade, um trabalho penoso e cansativo o  meu! Todos os dias ter de levar ao pasto esta cabra, um dia, depois outro, até ao fim do outono!  Se ao menos a gente pudesse deitar-se e dormir! mas qual, é preciso manter os olhos bem abertos e ver que ela não estrague os tenros arbustos,  que não entre nalgum jardim através das cercas e também que não fuja.  Como é possível  ter um pouco de paz e gozar a vida? 
                    Um dia, sentou-se num canto, muito concentrado, e  ruminava como haveria de fazer para ficar livre daquele peso. Meditou longamente, mas em vão. De repente, porém, teve uma ideia. 
                    - Ah, já sei o que hei de fazer! - exclamou: - caso-me com a gorda Rina. Ela, também, possui uma cabra; junto com a dela poderá levar a minha, assim será desnecessário que eu continue a estafar-me. 
                    Decidido isso, Henrique levantou-se, pôs em movimento os pobres membros cansados e atravessou a rua, pois era apenas essa a distância que o separava da casa onde habitavam os pais da gorda Rina.  E pediu-lhes a mão da virtuosa e diligente filha. Os pais não perderam tempo a pensar. 
                    - Deus os fez e agora os junta! - disseram, e deram o consentimento.  
                    Assim pois, a gorda Rina tornou-se a esposa de Henrique e teve que levar ao pasto as duas cabras. 

                   Henrique folgava o dia todo e só tinha que descansar da sua preguiça. Uma vez ou outra ele dava uma chegada ao pasto, dizendo: 
                   - Faço isto só para gozar melhor o descanso; caso contrário a gente acaba por não apreciá-lo bastante. 
                    Acontece, porém, que a gorda Rina não era menos  preguiçosa que ele. E, um belo dia, disse:  
                    - Querido Henrique, para que havemos de amargurar nossa vida sem necessidade e desperdiçar os melhores anos de nossa mocidade? estas duas cabras, que com seu irritante balido nos despertam todas as manhãs no melhor do sono, não achas melhor dá-las ao nosso vizinho, em troca de uma colmeia?  Poderemos colocar a colmeia no fundo do quintal, em lugar bem ensolarado e não teremos preocupações com ela.  Não é preciso vigiar as abelhas nem levá-las a pastar; elas voam por conta própria e sozinhas encontram o caminho de volta para casa; além disso, produzem mel sem nos dar a menor amolação! 
                    - Falaste como mulher sensata, - respondeu Henrique; - acho que a tua é uma proposta que deve ser  levada a efeito imediatamente, e além disso, o mel é muito mais saboroso e nutritivo do que o leite de cabra e pode  ser conservado muito tempo. 

                    O vizinho deu de bom grado uma colmeia em troca das duas cabras. As laboriosas abelhas voaram de cá e de lá desde manhã cedo até à noite, e em pouco tempo encheram a colmeia de belíssimos favos dourados; portanto, quando chegou o outono, Henrique pode colher um pode bem cheio de mel. 
                    Resolveram guardar o pote numa trave pregada bem em cima da cama, no quarto e, com receio de que os ratos pudessem achá-lo, Rina muniu-se de uma vara de aveleira e colocou-a ao lado da cama para tê-la à mão, sem ter necessidade de levantar-se, nem ter o incômodo de sair da cama para enxotar os prováveis intrusos. 

                    O preguiçoso Henrique não gostava nunca de levantar-se antes do meio-dia e costumava dizer: 
                     - Quem levanta cedo, desperdiça o que é bom. 
                     Uma bela manhã, quando o dia já estava bem claro e ele ainda repousava nas fofas plumas, descansando do longo sono, ocorreu-lhe dizer á mulher: 
                    - As mulheres gostam do que é doce e tu vives  lambiscando o mel; antes que acabes com ele, tu sozinha, é melhor vendê-lo e comprar uma gansa com um gancinho. 
                    - Mas não antes que tenhamos um filho para tomar conta deles! - disse a mulher. - Achas, por acaso, que devo aborrecer-me com os gancinhos e despender  inutilmente minhas forças com eles? 
                    - E tu achas que o menino cuidaria dos gansos? - retorquiu Henrique. - Hoje em dia, os filhos já não obedecem a ninguém, só fazem o que lhes dá na veneta porque se julgam mais sabidos do que os pais; Justamente como aquele criado que foi procurar a vaca tresmalhada e pôs-se a correr atrás dos melros. 
                   - Oh. - respondeu Rina, - pobre dele se não fizer o que eu mandar! Pegarei num pau e lhe curtirei a pele com pancada! Olha, Henrique, - gritou ela exaltada, e pegou a vara que trouxera para enxotar os ratos; - Olha como lhe hei de bater! 
                   Assim dizendo, ergueu o braço para sacudir a vara, mas, infelizmente, bateu no pote de mel que estava em cima da trave; o pote bateu na parede e, caindo, despedaçou-se. O delicioso mel esparramou-se todo pelo chão. 

                  - Lá se foram a gansa e o gancinho, - disse Henrique, - agora não mais teremos de cuidar deles. Sorte que o pote não me caiu na cabeça: temos mesmo de nos regozijar com isso! 
                   E, vendo um pouco de mel num caco de pote, Henrique estendeu a mão, apanhou-o e disse muito contente: 
                   - Aproveitemos este restinho, mulher; depois descansaremos um pouco deste grande susto que levamos. Que importa se nos levantarmos um pouco mais tarde do que de costume? O dia é sempre bastante comprido! 
                   - Sim, - respondeu Rina, - e chegaremos sempre a tempo. sabes, uma vez a lesma foi convidada a um casamento, ela pôs-se a caminho mas só chegou  no dia do batizado. Ao chegar diante da casa, sucedeu-lhe porem cair da cerca, e então exclamou: 
                   - Maldita a minha pressa! 

LEIA TAMBÉM - >>>> CONTOS E FÁBULAS DO ROMEO





quinta-feira, 18 de julho de 2013

OS GNOMOS NA MINA DE OURO - Nicéas R. Zanchett


OS GNOMOS NA MINA DE OURO 
Por
Nicéas Romeo Zanchett 
              Na Suécia, ha muitos anos, havia um rei muito poderoso. Numa certa ocasião suas terras foram invadidas por um bando de selvagens  bárbaros e ferozes; o rei temia por sua linda filha, a princesinha  Charlotte. Ele deveria sair para combater os invasores do seu reino, mas antes de partir, mandou cavar uma grande caverna no meio de uma floresta  solitária. Para ali mandou levar grandes provisões de alimentos, muita água e também velas. Momentos antes de sua partida, sem que ninguém soubesse, levaria a princesinha Charlotte para esse lugar, onde ficaria totalmente segura, enquanto estivesse fora do seu palácio. 
              O jovem Conde Elias, que era namorado da princesinha, sempre acompanhava o rei em suas viagens e batalhas. Como era de confiança absoluta, foi a única pessoa a saber das providências que ele havia tomado para garantir a segurança da filha. Ele, juntamente com o rei, levaram a princesinha até o esconderijo, fechando bem a entrada secreta. Deixaram-na ali trancada e prometeram voltar logo.
               Quando o dia amanheceu, uma das criadas foi até o quarto da princesinha para acordá-la, mas não a encontrou. Ficou apavorada com seu sumiço. O alarme foi dado, mas logo perceberam que o rei e o Conde Elias também haviam sumido. Não havia nada que pudessem fazer, a não ser esperar e rezar. 
               Muitos dias de luta se passaram nas florestas da Suécia. Mas, infelizmente os selvagens mataram o rei, seus soldados e depois devastaram o país. O Conde Elias foi ferido gravemente e levado por dois servos fiéis para a Noruega. Lá permaneceu em tratamento por muito tempo. 
               A princesa Charlotte continuava no seu esconderijo. Estava muito triste e perdendo as esperanças de que seu namorado a viesse retirar dali. Então percebeu que seus alimentos e a água estavam acabando. Resolveu então procurar uma saída. Começou escavar a terra, mas, sem saber o rumo certo da saída, cavou em direção a outra caverna debaixo da terra. 
                Acendendo a última das velas, entrou nessa caverna e seguiu por um corredor até encontrar uma saída; por fim chegou a uma grande abertura subterrânea que era atravessada por um rio muito largo. Andando mais um pouco, avistou uma grande fornalha e em volta dela, uma multidão de pequeninos gnomos que viviam muito ocupados procurando ouro e aquela fornalha era onde o fundiam. 
                 Depois de alguns minutos ela foi descoberta pelos gnomos que gritavam:
                 - Matem-na! Ela descobriu nossa mina de ouro e deve morrer! Vamos matá-lo! gritavam muito zangados. 
                 - Não!, disse o rei deles; ela pode nos ser muito útil e, portanto, não devemos matá-la. Como sabem, nos perdemos a rã que nos avisava quando o tempo ia chover para sairmos logo e não sermos mortos na inundação da mina. Ela nos serve para esse trabalho. Olhem!
                 E, com uma varinha estranha, tocou na princesinha, que logo se transformou  numa rã. Depois pegaram um vaso de cristal transparente e encheram-no com água limpa e ali colocaram Charlotte. 
                  - Agora saberemos quando vai chover, disse o reizinho dos gnomos; quando é tempo bom, Dona Rã sempre fica na superfície da água; quando chove, senta-se la no fundo. 
                  Foi assim que a princesinha se toru um instrumento para saber se o clima seria chuvoso ou de sol. Acontece que justamente naquele momento estava chovendo muito lá fora, e sem saber porque o fazia, Charlote  desceu até o fundo do vaso e ali agachou-se o mais que pode. 
                  No princípio os gnomos pensaram que ela estava fazendo aquilo porque se sentia triste e magoada por ter sido transformada em rã. Mas quando a chuva aumentou, as águas do rio subterrâneo, rapidamente, transbordaram e apagaram a fogueira, onde eles estava fundindo seu ouro. A mina ficou inundada e todos abandonaram o local, o mais rápido que puderam. 
                  Nem um palmo de terra ficara enxuto  e os gnomos fugiram pelo corredor em direção ao lugar onde o rei e o conde tinham deixado a princesinha escondida. Entretanto, o local era muito pequeno para caber todos eles; então fizeram uma abertura e saíram à procura de um lugar maior, onde todos pudessem esperar até a chuva passar e o rio baixar.  

                   Felizmente não se esqueceram de Charlote; para eles ela era muito importante, pois lhes alertaria para os riscos de uma chuva repentina. Puseram o vaso, com a rã dentro, em cima de uma padiola e dois gnomos a carregaram pela floresta escura. Neste momento o conde estava de volta, já completamente curado e cheio de saudade. 
                  Ao chegar na entrada da caverna, o Conde Elias com seu exército deram de cara com os gnomos que fugiram às pressas. Na fuga deixaram cair o vaso com a rã. Charlote, muito feliz por encontrar seu grande amor, saltou para fora do vaso de cristal e pulou sobre o Conde Elias.
                  - Que coisa mais esquisita! disse Elias; pegou a rã com muito carinho e foi até a caverna e viu que estava vazia. Então, achando muita graça naquele pequeno animalzinho que parecia gostar dele, beijou-a com muito carinho, e ela imediatamente  voltou a ser a linda princesinha  Charlotte. 
                   Depois de derrotar os últimos selvagens que ainda resistiam, o Conde casou-se com Charlotte e passou a ser o novo rei da Suécia. Com seu exército, encontrou a mina dos gnomos, onde havia ouro suficiente para reconstruir todas as vilas e aldeias que tinham sido destruídas pelos selvagens. 
                   No final, o sofrimento e as tristezas da princesinha Charlotte foram compensadas, pois  trouxeram muita felicidade ao reino. Ali, Charlotte e seu amado rei, viveram felizes para sempre, protegendo e amando todas as rãs e animais que haviam nas florestas.  

Nicéas Romeo Zanchett   
LEIA TAMBÉM >>> CONTOS E FÁBULAS DO ROMEO


sábado, 30 de abril de 2011

O REI DOS LEÕES

                         

      
 O REI DOS LEÕES 
Nicéas Romeo Zanchett

 Há muitos anos um estrangeiro levou um burro para Uganda e, certa manhã,ele fugiu para o campo. Zurrou por tanto tempo e com tanto barulho que despertou um leão que estava tranquilamente dormindo. O leão levantou-se e ficou muito assombrado com aquele som e pensou: que bicho estranho é este, com orelhas compridas e pontudas,  deve ser muito mais perigoso do que eu.
Cautelosamente,  se aproximou e perguntou: 
- Quem é o senhor? 
- Sou o Rei dos Leões, respondeu o burro. Não ouviu o meu desafio?
- Ouvi, disse o leão. Mas não precisamos travar uma luta. Podemos chegar a um acordo e fazer uma dupla contra todos os outros animais.
- Pois sim, respondeu o  burro; e logo foram embora juntos.
Depois de muito andar, chegaram junto a um riacho. O leão atravessou-o num único salto, mas o burro teve de atravessá-lo a nado e com muita dificuldade. 
- Você não sabe nadar? perguntou o leão.
-Nadar?, claro que sei, disse o burro. Nado como um pato, mas é que pesquei um enorme peixe com a minha cauda e ele quase me pucha para baixo da água. Mas já que está tão impaciente para ir embora, vou largá-lo. 
Pouco tempo depois chegaram ao pé de um muro bem alto. O leão galgou-o facilmente e o burro conseguiu passar as patas dianteiras, mas estava com dificuldade de fazer mais que isso.
- O que é que estás fazendo? perguntou o leão. 
- Então não vêz? retorquiu o burro. Estou me pesando para saber se minha parte dianteira é tão pesada como a trazeira.
Depois de muito esforço, o burro conseguiu passar, e o leão lhe disse:
- O senhor não tem nenhuma força.  Vou lutar contigo. 
- Quando quizeres, respondeu o burro, mas primeiro devemos fazer uma experiência com as nossas forças. Quando vejo que não posso saltar um murro eu o boto a baixo. Vamos ver se é capaz de fazer isso. 
O leão começou a bater no muro com as patas, mas se feriu muito e teve de desistir. Em seguida o burro escoiceou o muro com tanta força que ele logo caiu. 
- Sim, o senhor tem mesmo muita força!, disse o leão, lambendo as patas feridas. Quero que seja aclamado Rei dos Leões. 
No dia seguinte reuniram-se todos os leões de Uganda, e o burro conduziu-os a um vale  coberto por arvores cheias de espinhos. 
- Oh! por favor não vá por aí!, gritaram os leões cheios de terror. Os espinhos se enterrariam em nossas patas. 
- Mas que criaturas medrosas!, disse o burro. Olhem para mim. 
E para grande espanto dos presentes àquela assembléia, começou a comer as plantas espinhosas.  E assim foi aclamado, por unanimidade,  Rei dos Leões.  Como o burro não comia carne, nunca se servia da caça que os seus súditos matavam. Dessa forma passou a ser considerado como o melhor rei de todos os tempos.  
Adaptação: Nicéas Romeo Zanchett 
http://gotasdeculturauniversal.blogspot.com/

http://asfabulasdeesopo.blogspot.com/


sexta-feira, 29 de abril de 2011

O HOMENZINHO DA PRAIA


               O HOMENZINHO DA PRAIA
Josefina gostava muito de aventuras. Costumava sempre subir nas arvores e, quando tinha tres anos, fugiu de casa duas vezes correndo pela rua abaixo para ver até onde ia.
Um dia seus pais levaram-na para uma praia; Lá chegando, Josefina pôs-se a andar ao longo da praia, acompanhado o mar. Depois de algum tempo caminhando ela notou que nunca poderia chegar  até o fim da praia, pois  no caminho havia um amontoado de rochas que entravam mar a dentro, impedindo-lhe a passagem e eram pedras tão altas que não poderia atravessá-lo.
Numa certa manhã, Josefina levantou-se bem cedo, sentou-se na cama e ficou pensando como seria interessante procurar um caminho para atravessar aquela rocha da praia. Depois de alguns momentos levantou-se, vestiu-se  e saiu correndo pela estrada que conduzia ao mar. 
Correu um bom pedaço e então, já sentido-se exausta, deitou-se no chão para descansar. Estava quase dormindo quando, de repente, viu um homenzinho vestido de preto, como um carvoeiro, correndo pela grama até a entrada de uma pequena toca, pela qual desapareceu. 
Josefina ficou espantada. Imediatamente levantou-se, mas sua curiosidade aumentou quando viu que o homenzinho tinha deixado cair aulguns pequenos biscoitos que estava comendo. Como estava com muita fome resolvou comê-los. Imediatamente começou a diminuir de tamanho até ficar menor que o homenzinho de preto. Dessa forma, pensou ela, posso entrar pela toca e chegar ao outro lado. Como gostava muito de aventuras, lá se foi Josefina  toca a dentro.  A toca terminava em uma passagem muito escura e, ao atravessá-la, Josefina sentiu que seu coraçãozinho batia fortemente e feliz, pois imaginava que  aquele buraco a conduziria à continuação da praia, que ela queria conhecer. 
Ao chegar do outro lado da toca, qual não foi seu estpanto, pois no lugar de conchinas do mar havia milhares de diamantes, pérolas, rubis, esmeraldas e todos os tipos de pedras preciosas. Brilhavam tanto que ela teve de fechar os olhos por alguns instantes.
Tudo aquilo era novidade e principalmente muito bonito, mas Josefina estava cansada, com sono e tanta fome que nem se importou muito com aquelas maravilhosas joias. Catou algumas, pôs no bolso e então decidiu voltar para casa, mas quando procurou a entrada da toca, por onde tinha vindo, não mais a encontrou. Então começou a andar de um lado para o outro á procura da tal entrada, mas nada conseguia. Josefina estava cada vez mais contrariada, pois sentia-se cansada e com muita fome. De repente percebeu estar bem próxima ao homenzinho de preto que estava enchendo um saco de pedras preciosas.  Josefina deu um grito de alegria e educadamente pediu: 
-Pode me fazer o favor de indicar a saida? 
O homenzinho deu um salto e virou-se para ela muito zangado.
- Como foi que você veio até aqui?, gritou-lhe. Tenho tanto trabalho para impedir que aqui entrem repugnantes fadas! Só querem roubar as minhas coisas, pois não se contentam com as suas.
- Ouça, respondeu Josefina cheia de terror, eu não quero suas pedras preciosas, o que realmente quero é almoçar, pois tenho muita fome. E desatou a chorar. 
O homenzinho olhou um instante para ela, fez uma careta, e disse: 
- Não és uma fada, mas sim uma menina pateta. Não sabia que as meninas pudessem ser tão pequeninas. 
O homenzinho ficou muito contente ao ver que Josefina não era uma fada criminosa, pois as fadas não choram. 
Queres almoças? perguntou-lhe, isso é fácil.  E tirando do bolso uma varinha, deu com ela algumas voltas  no ar e... o que aconteceu?  Todas as conchinhas que havia por ali se transformaram em pastéis, frutas, bolos, fiambres, confeitos, etc. 
Então Josefina sentou-se e comeu à vontade tudo o que quiz. Enquanto isso o homenzinho voltou ao seu trabalho de encher o saco de pedras preciosas. 
Quando Josefina acabou de comer, levantou-se e tossiu ligeiramente. 
- Com licença, disse-lhe muito tranqüíla. Já comi bastante. Obrigado, muito obrigado! e agora pesso-lhe  que me ensine o caminho de volta para o outro lado. 
O homenzinho virou-se e disse: 
- Falas muito bonito, mas aposto que estás imaginando que eu sou um homem mau. Posso até parecer assim, mas a culpa é das fadas. Já fiz tudo o que pude para esconder esse caminho que me traz até aqui, mas, apesar disso elas sempre vem roubar as minhas pedras e por isso vou transportá-las para outro lugar mais escondido. 
- E para onde vais levá-las? peruntou Josefina. 
O homezinho olhou para ela e simplesmente exlamou; - Ah!. 
Logo a Josefina, que era muito inteligente, compreendeu que aquilo era um segredo e então lembrou-se das pedras que havia posto nos seus bolsos.
- Sou tão má quanto as fadas, dise ela. Eu também roubei umas pedras preciosas, mas peço perdão. E tirou do bolso, uma perola, um diamante eum rubi. Então o homenzinho disse que poderia ficar com elas, mas tinha de prometer que nunca contaria  a ninguém onde havia encontrado aquelas preciosidades.  Josefina prometeu e pergutou-lhe novamente pelo caminho de volta para casa.
- Vem, dise-lhe o homenzinho; e levou-a até a entrada da toca. 
- Agora deite-se no chão e feche os olhos que daqui aluns instantes estara em sua caminha. 
Josefina obedeceu; fechou os olhos logo adormeceu profundamente. Quando acordou estava em sua própria cama. 
- Naturalmente tudo isso foi um sonho, disse ela. E para ter certesa, saltou da cama e pos a mão nos bolsos do vestido. Sentiu que havia alguma coisa rígida lá dentro. Cheia de expectativa e curiosidade retirou um dos objetos.  Era um lindíssimo diamante. Tornou a por a mão no bolso e então veio uma pérola, tão grande quanto um ovo de coderna.  Pos a mão novamente e, ao retirar, percebeu que era um rubi do tamanho de uma maçã. Percebendo que não se tratava de um sonho ficou muito radiante.
Quando foi almoçar com seus pais, mostrou-lhe seu tesouro. Eles ficaram muito espantados e quizeram saber de onde tinha vindo tal preciosidade, mas ela lembrando da promessa feita, apenas disse: 
- Prometi não dizer.
-Muito bem, Josefina, disse-lhe a mãe, que gostava muito que ela cumprisse as suas promessas.
Pensando no futuro da filha, seus pais concordaram que seria melhor vender as jóas e guardar o dinheiro para quando Josefina se tornasse adulta. Assim foi feito. 
Quando chegou à maioridade, Josefina comprou uma bela casa com jardim onde recolhia e ajudava todos os pobrezinhos que encontrava. 
Josefina mereceu tudo isso porque foi honesta e cumpriu sua palavra. 
.
Pesquisa e adaptação: Romeo Zanchett 
http://gotasdeculturauniversal.blogspot.com/

http://asfabulasdeesopo.blogspot.com/

 

quarta-feira, 27 de abril de 2011

SINDBAD - O MARIHEIRO


                                     SINDBAD  -  O MARINHEIRO
Sindbad estava sentado, descansando na sua nova casa em Bagdad, que havia construido recentemente, quando ouviu um pobre carregador de rua dizer:
- Os homens não recebem a recompensa conforme merecem. Tenho trabalhado mais do que Sindbad e, no entanto, ele vive no luxo e eu na miséria.
Comovido com a queixa do carregador de rua, Sindbad convidou-o para entrar e ouvir a história de suas aventuras.
- Talvez quando souberes o que passei para adquirir minha riqueza, disse-lhe Sindbad, fique mais contente com a sua sorte. Repare no meu cabelo branco e minha cara já gasta; até pareço um velho. Eu era jovem e forte quando embarquei para tentar fazer minha fortuna  em países estranhos.  Saiba que, pouco depois de partirmos, o nosso navio foi apanhado por uma calmaria numa pequena ilha. Quando desembarcamos para examinar de perto, descobrimos que aquilo não era terra e sim o dorso de uma grande baleia.  Mal pusemos os pés para descer e ela começou a sacudir-se e logo mergulhou para o fundo do mar.  Ficamos todos assustados, nos debatendo e procurando algo para nos salvar do afogamento.  Agarrei-me a um grande pedaço de madeira e a corrente marítima acabou me conduzindo à praia de uma ilha deserta.
- Já na ilha, imaginei que estaria salvo, mas ao caminhar algumas léguas fui dar num grupo de arvores frutíferas, entre as quais estava escondida uma grade bola branca de uns cincoenta pés de tamanho.  Eu já estava muito cansado, por isso, depois de comer alguns frutos, deitei-me para dormir à sombra da bola branca. Já estava cochilando quando, ao olhar para o alto, vi que o céu estava escuro  pelas asas de uma ave gigante.  
- Céus! exclamei. Esta grande bola branca é o ovo daquela ave monstruosa, que os marinheiros chamam de Roc.
Em seguida o Roc pousou sobre o ovo, debaixo do qual eu estava, e uma das suas garras, que era do tamanho do tronco de uma arvore, prendeu-se em mim.
No dia seguinte, de manhã bem cedo, o Roc levantou voo e levou-me a tal altura que eu já nem via mais a terra. Depois desceu com tanta velocidade que por pouco eu não perdi os sentidos. Quando ele passou perto do chão consegui soltar-me  da sua garra, e vi então que estava num vale muito profundo, cercado de montanhas altíssimas e íngremes  por todos os lados.
- Aquele era o vale dos diamantes!  todo o chão estava coberto de pedras preciosas. Cheio de alegria, comecei encher meus bolsos  com quantas pedras podia. Mas minha alegria durou pouco, pois o vale estava cheio de serpentes e eu não sabia como sair dali.
Em seguida escondi-me numa caverna e tapei a entrada com um pedregulho, mas não pude dormir nada devido ao sibilar das serpentes.  De madrugada elas desapareceram, pois tinham medo do Roc, que costumava ir ao vale em busca de alimento. Então saí da caverna, mas logo fui derrubado por uma coisa qualquer que vinha aos trambulhões montanha abaixo. Era um grande pedaço de carne fresca que, à medida que ia rolando, nele se grudavam os diamantes que estavam no seu caminho, como se fosse uma bola de neve. Então olhei para cima e vi que no alto da montanha havia um grupo de homens que se preparava para atirar outro pedaço de carne.  Eu já tinha houvido falar dessa forma de catar diamantes e naquele momento me parceu ser também uma boa forma para me salvar.
- Então, atei-me ao pedaço de carne, escondendo-me debaixo dele. Pouco depois apareceu uma águia que agarrou a carne e levou-me junto para o alto da montanha. Em seguida, o grupo de homens afugentou a águia e virou a carne para tirar os diamantes que nela estavam grudados. Foi assim que me encontraram.
Quando os homens tinham tirado todos os diamantes que queriam, embarcamos de volta par nosso país. Mas, ao passar  pela ilha deserta, os meus companheiros  desembarcaram com um machado e abriram a grande bola branca. Ouviu-se um grande grito no céu. Era o Roc que tinha nos visto. Todos desataram a correr em direção ao navio, mas o Roc nos seguiu segurando nas garras um grande pedaço de pedra que deixou cair sobre o nosso navio. Acabamos todos caindo no mar.
Agarrei-me com uma mão num pedaço de madeira  do navio e com a outra fui nadando conforme podia, até que consegui chegar a uma outra ilha.
- Era um lugar maravilhoso! rios corriam entre os vinhedos carregados de uva e pomares com diversas espécies de fruta. Ali encontrei um velho muito esquisito que me fez sinal para levá-lo às costa na travessia do rio. Mas, mal eu o coloquei nas costas e ele cruzou as pernas  em volta do meu pescoço,  e foi apertando até que desmaiei.  Quando acordei  vi que ele ainda estava a cavalo nos meus obros. Assim ficou todo o dia e a noite, permanecendo até a manhã seguinte.
A partir daquele dia ele me tornou seu escravo. Quando fiz algum vinho para beber e não perder as forças, ele o tomou de mim e bebeu tudo. Felizmente o vinha era forte de mais para ele que então descruzou as pernas e me soltou no chão. Então, para me livrar dele definitivamente, eu o matei ali mesmo.
Voltando à praia, encontrei alguns marinheiros que me trouxeram de volta para Bagdad.
-Mais tarde fiquei sabendo que aquele era o velho do mar e que eu tinha sido o primeiro  a escapar de ser estrangulado por ele.
- E agora, meu caro amigo, não achas que sou merecedor da minha fortuna?, disse-lhe Sindbah, dando-lhe um bom e valioso presente.
E o entregador de rua foi-se embora todo feliz para nunca mais julgar sem saber a verdade.
Pesquisae  adaptação. 
Nicéas Romeo Zanchett
http://gotasdeculturauniversal.blogspot.com/

terça-feira, 26 de abril de 2011

DANÇA DAS DOZE PRINCESAS


                                    A DANÇA DAS DOZE PRINCESAS
Era uma vez um rei que tinha doze filhas muito lindas. Dormiam em doze camas no mesmo quarto. Quando iam para a cama, as pórtas do quarto eram todas fechadas com chave.  Todas as manhãs, porém, os seus sapatos tinham as solas gastas, como se tivessem dançando com eles a noite toda. Ninguém conseguia saber como isso tinha acontecido. 
Para descobrir o que de fato estava acontecendo, o rei  anunciou a todo o reino que se alguém pudesse descobrir o segredo, e saber onde é que as princesas dançavam de noite, casaria com aquela de quem mais gostasse e seria rei depois de sua morte. Entretanto, se alguém tentasse descobrir e ao fim de tres dias e tres noites não conseguisse, seria morto. 
Logo apresentou-se o filho de um rei, como primeiro candidato.  Foi muito bem recebido e à noite levaram-no para o quarto ao lado daquele onde as princesas dormiam nas suas doze camas. Ele tinha que ficar sentado para ver onde elas iam dançar e para que nada acontecesse sem que ele ouvisse. Para isso deixou a porta do seu quarto aberta. Mas o jóvem acabou adormecendo, e quando acordou de manhã percebeu que as princesas tinham dançado a noite toda, pois as solas dos seus sapatos estavam cheias de buracos. O mesmo fato aconteceu nas duas noites sequintes e, conforme havia dito, o rei ordenou que lhe cortassem a cabeça. 
Depois dele vieram outros jovems, mas nenhum teve melhor sorte e todos acabaram perdendo a própria vida. 
Um certo dia, um velho soldado, que tinha sido ferido em combate e já não podia tornar a combater, atravessava o pais daquele rei.  Um dia, ao passar por uma floresta, encontrou uma velha  senhora, que lhe perguntou para onde ia.
- Quero descobrir onde é que as doze princesas dançam a noite, e assim ainda terei tempo de me tornar rei.
- Bem, disse a velha senhora, isso não é muito dificil. Basta que tenhas cuidado e não beba nada do vinha que uma das princesas te trará à noite. Então, logo que ela se afastar, deve fingir que adormeceu.  Apos dar essa orientação, deu-lhe uma capa e continuou dizendo: - Logo que puseres essa capa, tu te tornarás invisível e poderás seguir as princesas, para onde quer que elas forem, sem ser visto por ninguém.
Apos ouvir esses conselhos, o velho soldado foi falar com o rei, que mandou seus súditos dar-lhe ricas vestes para trajar. Quando a noite chegou, conduziram-no até o quarto de fora, onde deveria ficar para descobrir o segredo das doze princesas.  Já ia deitar-se quando a mais velha das princesas trouxe-lhe um taça de vinho que o soldado entornou-a sem que ela percebesse.  Depois deitou-se na cama e logo pos-se a roncar como se estivesse dormindo profundamente. 
Quando as doze princesas ouviram seu ronco, puseram-se a rir, levantaram-se a abriram as malas onde guradavam seus ricos vestidos e puzeram-se a saltitar de contentes, como se estivessem se preparando para dançar, mas, a mais nova delas dise:  
- Não me sinto bem. Tenho a premonição de que vai nos acontecer algo desagradável. 
- Tola! disse a mais velha. Já não te lembras de quantos filhos de reis que vieram nos espiar  sem resultado?  E, quanto ao soldado, tive o cuidado de lhe dar a bebida para fazê-lo dormir. 
Quando estavam todas prontas foram juntas olhar o soldado, mas ele continuava a roncar e nem se mexia.  Então elas julgaram-se seguras. Dando continuidade ao costumeiro artifício, a mais velha das princesas foi até próximo à cama e bateu palmas. Imediatamente abriu-se ali um alçapão com uma escada por onde todas elas desceram, umas atrás das outras.  Então o soldado levantou-se, pôs a capa que a velha senhora lhe tinha dado e segui-as. Mas, por um descuido, o soldado pisou na cauda do vestido da princesa mais nova que gritou para as irmãs: 
- Alguém me puxou pelo vestido! 
- Que tola! dise a mais velha. Foi algum prego que está na parede.
E lá se foram todas descendo e, quando chegaram ao fim do caminho, havia a um bosque de lindas arvores.  As folhas eram todas de prata e tinha um brilho maravilhoso. O soldado, que vestido com a capa estava invisível, partiu um raminho de uma  das arvores para levar de lembrança.
Em seguida as princesas continuaram sua caminhada  chegando a outro bosque, onde as folhas das arvores eram de ouro; cotinuaram a caminhada e chegaram a um bosque onde as arvores tinhas folhas de diamantes. O soldado, que as acompanhava de perto, foi partindo um raminho de cada arvore. 
Depois de muito caminhar, chegaram a um grande lago onde haviam doze barquinhos enconstados na margem, com doze príncipes jovens e muito lindos, que ali estavam à espera das princesas. 
Cada uma das princesas entrou num dos barquinhos e o soldado, para não ficar atrás, entrou no barquinho da princesa mais nova.
Quando já iam atravessando o lago, o príncipe que remava o barquinho com a princesa mais nova, disse-lhe: 
- Não sei por que, mas, apesar de estar remando com toda a minha força, parece que estamos indo mais devagar do que de costume. O barco parece estar mais pesado. 
- Deve ser o calor do tempo, disse-lhe a jovem princesa. 
Do outro lado do lago havia um grande castelo, de onde vinha um belo som de clarins e trombetas. Desembarcaram todos e entraram para o castelo. Cada príncipe dançou com sua princesa e o soldado invisível dançou entre eles também.
Como era de costume, colocavam uma taça de vinho aos pés de qualquer uma das princesas para que bebesse. O soldado, que não perdia tempo, bebia todo o vinho e quando a princesa levava a taça a boca, já estava vazia. 
A irmã mais nova, que era muito desconfiada,  já estava assustada com o que estava acontecendo, mas a mais velha mandou que se calasse.
Dançaram até as tres horas da madrugada. Então, com os sapatos já gastos, tiveram de parar.  Os principes levaram-nas de volta até a outra margem do lago e, desta vez, o soldado entrou no barquinho da princesa mais velha. Ao chegarem ao outro lado, despediram-se prometendo voltar na noite seguinte. 
Quando chegaram ao pé da escada do alçapão, o soldado adiantou-se  e subiu primeiro, indo deitar-se imediatamente. 
As princesas, que subiram devagar por estarem muito cansadas, passaram pela cama do soldado, e vendo que ainda estava roncando, disseram: 
 -Esta tudo muito bem!
Depois despiram-se, guardaram novamente seus ricos trajes, tiram os sapatos e deitaram-se. 
Na manhã, o soldado levantou-se, mas não disse nada do que tinha visto. Decidiu que seria melhor repetir com elas, por mais duas noites, todo o trajeto feito na primeira noite. Entretanto, na terceira noite, para provar seus relatos ao rei, o soldado trouxe de volta consigo uma taça de ouro que pegou no castelo.
Quando chegou a hora de revelar o segredo das princesas foi levado à presença do rei. Levou consigo os tres ramos colhidos das arvores e a taça de ouro. 
Imaginando o que iria contecer, as princesas puzeram-se atrás da porta para escutar o que ele diria. E então o rei lhe perguntou:
- Onde é que as minhas doze filhas dançam a noite?
- Com doze príncipes num lindo castelo debaixo da terra, respondeu o soldado.
Depois contou ao rei tudo o que tinha sucedido, mostrando-lhe os tres ramos e a taça de ouro que trouxera consigo. 
Então o rei chamou as princesas e perguntou-lhes se era verdade o que o soldado tinha dito. Elas, vendo que seu segredo havia suido descoberto, confessaram tudo. E o rei perguntou ao soldado com qual delas queria casar. 
- Como já não sou muito novo, quero a mais velha, respondeu o soldado. 
Casaram-se no mesmo dia, e o soldado, que tinha seguido os conselhos da velha senhora, ficou sendo o herdeiro do trono.
História original dos Irmãos Grimm - Livro dos Contos.
.
 Pesquisa e adaptação> Nicéas Romeo Zanchett 
LEIA TAMBÉM >>> CONTOS E FÁBULAS DO ROMEO